Portal Médico         ABP Comunidade        Sala de Imprensa        Contato

 

    » 1 - Conheça o projeto que a ABP começa a desenvolver sobre discriminação

    » 2 - Pesquisa sobre racismo

    » 3 - Vídeo

    » 4 - Discriminação e estigma

    » 5 - Violência contra crianças e mulheres

    » 6 - Neonazismo em debate

    » 7 - Projeto Discriminação realiza primeiro encontro em Porto Alegre (20/08/2009)

    » 8 - Colégio Júlio de Castilhos de Porto Alegre firma acordo para erradicar o Bullying (01/06/2010)

    » 9 - Projeto Discriminação realiza o segundo encontro em Porto Alegre (29/06/2010)

    » 10 - Prefeitura de São Paulo quer conhecer o Projeto Discriminação (30/06/2010)

    » 11 - Joinville-SC quer conhecer o Projeto Discriminação (04/08/2010)

 

Comentário do Projeto Discriminação

Telmo Kiguel - Coordenador do Departamento de Psicoterapia e do Projeto Discriminação da Associação Brasileira de Psiquiatria

É promissor o desenvolvimento de pesquisa sobre qualquer uma das formas de discriminação. Chama a atenção a aparente simplicidade e baixo custo desta experiência.

Mesmo assim, ela detecta pelo menos dois aspectos muito complexos da questão: A dificuldade das pessoas se reconhecerem como discriminadoras, no caso, racistas; e a questão da leniência (excessiva tolerância) em relação ao ato racista.

Estudo diz que brancos são mais racistas do que pensam

A maioria dos brancos diz que reagiria enfaticamente ao racismo, mas se omite quando vê casos reais de preconceito, segundo estudo divulgado na quinta-feira por pesquisadores dos EUA e Canadá.
"As pessoas não se consideram preconceituosas, e prevêem que ficariam muito aborrecidas com um ato racista e que agiriam", disse Kerry Kawakami, professor da Universidade York, de Toronto (Canadá), cujo estudo foi publicado na revista Science.
"Entretanto, descobrimos que suas reações são muito mais silenciosas do que eles esperavam quando realmente são postos diante de um comentário abertamente racista", disse Kawakami em nota.
Os pesquisadores avaliaram o comportamento de 120 estudantes brancos do Canadá que foram expostos a uma situação racista quando pensavam estar esperando que a experiência começasse.
Um falso participante negro saía da sala por alguns instantes, e outro falso participante, este branco, fazia um comentário racista. O teor do comentário variava de moderado e extremamente ofensivo. Quando o aluno negro voltava, os verdadeiros participantes eram convidados a escolher parceiros para um exercício subsequente.
De acordo com os pesquisadores, 63% dos alunos escolhiam a pessoa que fizera os comentários racistas.
"Ficamos todos surpresos com a discrepância entre o que as pessoas pensavam que fariam e o que realmente fariam quanto postas nessa situação", disse por telefone John Dovidio, da Universidade Yale (Connecticut, EUA), que também colaborou no estudo.
"Elas não rejeitavam a pessoa que fez um óbvio comentário racista, e na verdade demonstravam uma ligeira tendência a querer trabalhar com essa pessoa", disse ele.
Quem passou pela situação ficou muito menos perturbado do que pessoas que leram a respeito ou viram um vídeo. Estas se declaravam muito menos propensas a trabalhar com o racista.
"Parte disso pode se dever à situação. Não temos muito prática sobre como responder", disse Dovidio.
Ironicamente, disse ele, muitos outros estudos concluíram que pessoas confrontadas depois de fazerem declarações racistas se tornam muito menos propensas a repeti-las.
"Ao não fazer nada você na verdade está contribuindo com uma sociedade que será racista no futuro", disse ele.

Agência Reuters, 8 de janeiro de 2009

 

« Voltar

ABP . Associação Brasileira de Psiquiatria - Telefone: +55 (21) 2199-7500
Direitos Autorais | Privacidade
Copyright © 2005-2008 ABP
Produzido por Assessora